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A Fauna das Portas de Ródão

 

    Excerto de: Proposta de Classificação das Portas de Ródão

A existência e a manutenção de um mosaico paisagístico diversificado, resultante dos diferentes usos do solo, constituem um factor essencial e decisivo para a manutenção dos níveis de biodiversidade. Nos olivais, matagais, zonas com vegetação herbácea, áreas florestais e escarpas rochosas verifica-se a presença de um número assinalável e diversificado de espécies animais. Esta evidência coincide com a concentração dos diferentes habitats num espaço restrito, que não ultrapassa os 1500 hectares, o que justifica, de uma forma mais efectiva, a importância e a pertinência desta proposta de classificação.

Os vales mais encaixados, com formações vegetais densas e de grande diversidade e as escarpas de difícil acesso constituem o habitat preferencial para um importante número de espécies, não só de rapinas como também de outra avifauna e de mamíferos. É nestes locais que os matagais de características mediterrânicas se encontram melhor representados e em melhor estádio de desenvolvimento.
 
Os locais próximos da água, constituídos maioritariamente por bosquetes arbóreos, constituem igualmente habitats importantes. Existe ainda um pequeno caniçal, junto da Fonte das Virtudes, habitat muito raro na região. Entre estes habitats e os descritos anteriormente verifica-se um relacionamento evidente (DGDR, 2002).
      
Vertebrados
 
Na área em estudo, mesmo considerando a sua reduzida extensão, ocorrem um número razoavelmente elevado de espécies de vertebrados, as quais se distribuem da seguinte forma:
 
a) Aves:                                   119     
b) Mamíferos                             20     
c) Peixes de água-doce:             10     
d) Anfíbios:                                10     
e) Répteis:                                 12     
 
 
 
O número de espécies identificadas resultou, no caso da avifauna, da realização de inventários que foram sendo actualizados com carácter sistemático, desde os finais dos anos de 1980 até ao momento actual.
 
No caso das restantes espécies o seu apuramento e inventariação resultou da consulta de estudos realizados na região, das informações recolhidas junto de técnicos, especialmente do ICN, que aqui têm desenvolvido trabalhos de caracterização, noutras áreas, e que efectuaram as observações e os registos de algumas das espécies referenciadas. Algumas das espécies foram também alvo de observação directa no decurso dos trabalhos de campo desenvolvidos para a presente proposta de classificação e que em algumas das situações foram documentadas fotograficamente.
 
Avifauna
 
O interesse ornitológico das Portas de Ródão e da sua área circundante pode considerar-se bastante importante. Destacam-se sobretudo as comunidades de aves rupícolas existentes, não apenas nas Portas de Ródão, mas igualmente nos afloramentos que se estendem ao longo da Serra das Talhadas, que levaram à classificação dessa área como Zona Importante para as Aves (IBA PT037 – Portas de Ródão e Vale Mourão; (Costa et al., 2003).
 
Várias espécies de aves de rapina diurnas frequentam regularmente a área destacando-se a ocorrência do Milhafre-preto, do Gavião, da Águia-calçada, da Águia-cobreira, ou do Ógea, entre outras.
 
Verdadeiramente importantes constituem as comunidades de aves rupícolas que engloba, entre outras, espécies como a Cegonha-preta, o Grifo, a Águia-de-Bonelli, o Bufo-real, a Andorinha-das-rochas ou o Melro-azul. A colónia de Grifos é particularmente importante constituindo, na actualidade, a maior existente no território português.
 
A região, pelas suas características ao nível do relevo, da existência de maciços rochosos, da vegetação e do uso do solo e da existência de importantes cursos de água, constitui um local que proporciona as condições adequadas para a presença de uma grande diversidade de variedade de espécies de aves. A existência de zonas de olival e de matos proporciona condições ideais para constituir um local ideal de invernada para um grande número de passeiriformes, de várias espécies. No caniçal existente no local nidificam algumas espécies típicas desse habitat, muito escasso na região, bem como é utilizado como dormitório por outras espécies.
 
Espécies de aves identificadas

Espécie
Est./Abund.
Livro Vermelho
SPEC
ECE
Mergulhão-pequeno Tachybaptus ruficollis
R4
Pouco preocupante
-
NA
Corvo-marinho Phalacrocorax carbo
I2
Pouco preocupante
-
NA
Carraceiro Bubulcus íbis
O
Pouco preocupante
-
NA
Garça-branca Egretta garzetta
O
Pouco preocupante
-
NA
Garça-real Ardea cinérea
I2
Pouco preocupante
-
NA
Cegonha-preta Ciconia nigra
E4
Vulnerável
3
R
Cegonha-branca Ciconia ciconia
E4
Pouco preocupante
2
V
Pato-real Anas platyrhynchos
O
Pouco preocupante
-
NA
Milhafre-preto Milvus migrans
E3
Pouco preocupante
3
V
Milhafre-real Milvus milvus (***)
MP5
---
4
NA
Britango Neophron percnopterus
E5
Em perigo
3
EP
Grifo Gyps fulvus
R2
Quase ameaçado
3
R
Grifo-pedrêz Gyps rueppellii
O
-
-
-
Abutre-preto Aegypius monachus
O
Em perigo
3
V
Águia-cobreira Circaetus gallicus
E4
Quase ameaçado
3
R
Águia-caçadeira Circus pygargus
O
Em perigo
4
NA
Açor Accipiter gentilis
O
Vulnerável
-
NA
Gavião Accipiter nisus
I4
Pouco preocupante
-
NA
Águia-d'asa-redonda Buteo buteo
R4
Pouco preocupante
-
NA
Águia-calçada Hieraaetus pennatus
E4
Quase ameaçado
3
R
Águia-de-Bonelli Hieraaetus fasciatus
R4
Em perigo
3
EP
Águia-imperial Aquila adalberti
O
Criticamente em perigo
1
EP
Peneireiro Falco tinnunculus
R4
Pouco preocupante
3
D
Ógea Falco subbuteo
E3
Vulnerável
-
NA
Perdiz Alectoris rufa
R2
Pouco preocupante
2
V
Galinha-d'água Gallinula chloropus
R4
Pouco preocupante
-
NA
Borrelho-pequeno-de-coleira Charadrius dubius
E4
Pouco preocupante
-
(NA)
Abibe Vanellus vanellus
I4
Pouco preocupante
-
(NA)
Narceja Gallinago gallinago
I4
Pouco preocupante
-
(NA)
Galinhola Scolopax rusticola
I4
Inform. insuficiente
3
V
Maçarico-das-rochas Actitis hypoleucos
R4MP3
Vulnerável
-
NA
Guincho Larus ridibundus
MP3I4
Pouco preocupante
-
NA
Gaivota-d'asa-escura Larus fuscus
MP3I4
---
4
NA
Andorinha-do-mar-comum Sterna hirundo
O
Em perigo
-
NA
Pombo-das-rochas Columba livia
R3
Inform. insuficiente
-
NA
Pombo-torcaz Columba palumbus
R3I3
Pouco preocupante
4
NA
Rola-brava Streptopelia turtur
E3
Pouco preocupante
3
D
Cuco-rabilongo Clamator glandarius
O
Vulnerável
-
NA
Cuco Cuculus canorus
E3
Pouco preocupante
-
NA
Mocho-d'orelhas Otus scops
E5
Inform. insuficiente
2
(D)
Bufo-real Bubo bubo
R4
Vulnerável
3
V
Mocho-galego Athene noctua
R3
Pouco preocupante
3
D
Andorinhão-preto Apus apus
E3
Pouco preocupante
-
NA
Andorinhão-cafre Apus caffer
E5
---
-
NA
Guarda-rios Alcedo atthis
R3
Pouco preocupante
3
D
Abelharuco Merops apiaster
E2
Pouco preocupante
3
D
Poupa Upupa epops
E3I4
Pouco preocupante
-
NA
Peto-real Picus viridis
R3
Pouco preocupante
2
D
Pica-pau-malhado Dendrocopos major
R3
Pouco preocupante
-
NA
Cotovia-escura Galerida theklae
R3
Pouco preocupante
3
V
Cotovia-dos-bosques Lullula arborea
R2
Pouco preocupante
2
V
Laverca Alauda arvensis
I3
Pouco preocupante
3
V
Andorinha-das-rochas Ptyonoprogne rupestris
R1
Pouco preocupante
-
NA
Andorinha-das-chaminés Hirundo rustica
E2
Pouco preocupante
3
D
Andorinha-daurica Hirundo daurica
E3
Pouco preocupante
-
NA
Andorinha-dos-beirais Delichon urbica
E1
Pouco preocupante
-
NA
Petinha-dos-prados Anthus pratensis
I2
Pouco preocupante
4
NA
Alvéola-cinzenta Motacilla cinerea
R3
Pouco preocupante
-
(NA)
Alvéola-branca Motacilla alba
R3I2
Pouco preocupante
-
NA
Carriça Troglodytes troglodytes
R2
Pouco preocupante
-
NA
Ferreirinha Prunella modularis
I2
Pouco preocupante
4
NA
Ferreirinha-serrana Prunella collaris
I4
Quase ameaçado
-
NA
Pisco-de-peito-ruivo Erithacus rubecula
I2
Pouco preocupante
4
NA
Rouxinol Luscinia megarhynchos
E2
Pouco preocupante
4
(NA)
Rabirruivo Phoenicurus ochruros
R3
Pouco preocupante
-
NA
Cartaxo Saxicola torquata
R3
Pouco preocupante
3
(D)
Chasco-cinzento Oenanthe oenanthe
MP5
Pouco preocupante
-
NA
Chasco-preto Oenanthe leucura
(R5*)
Citicamente em perigo
3
A
Melro-azul Monticola solitarius
R3
Pouco preocupante
3
(V)
Melro Turdus merula
R2
Pouco preocupante
4
NA
Tordo-pinto Turdus philomelos
I3
Pouco preocupante
4
NA
Tordo-ruivo Turdus iliacus
I3
Pouco preocupante
4
NA
Tordoveia Turdus viscivorus
R4
Pouco preocupante
4
NA
Rouxinol-bravo Cettia cetti
R4
Pouco preocupante
-
NA
Fuinha-dos-juncos Cisticola juncidis
R3
Pouco preocupante
-
(NA)
Rouxinol-dos-caniços Acrocephalus scirpaceus
O
Quase ameaçado
4
NA
Rouxinol-grande-dos-caniços Acrocephalus arundinaceus
R5
Pouco preocupante
-
(NA)
Felosa-poliglota Hippolais polyglotta
E3
Pouco preocupante
4
(NA)
Toutinegra-do-mato Sylvia undata
R3
Pouco preocupante
2
V
Espécie
Est./Abund.
Livro Vermelho
SPEC
ECE
Toutinegra-dos-valados Sylvia melanocephala
R2
Pouco preocupante
4
NA
Toutinegra-das-figueiras Sylvia borin
MP4
Vulnerável
4
NA
Toutinegra-de-barrete Sylvia atricapilla
R3I2
Pouco preocupante
4
NA
Felosinha Phylloscopus collybita
I2
Pouco preocupante
-
(NA)
Felosa-musical Phylloscopus trochilus
MP3
---
-
NA
Estrelinha-de-poupa Regulus regulus
I5
Pouco preocupante
4
(NA)
Estrelinha-real Regulus ignicapillus
MP2I3
Pouco preocupante
4
NA
Taralhão-cinzento Muscicapa striata
MP3
Quase ameaçado
3
D
Papa-moscas Ficedula hypoleuca
MP3
---
4
NA
Chapim-rabilongo Aegithalos caudatus
R3
Pouco preocupante
-
NA
Chapim-de-poupa Parus cristatus
R3
Pouco preocupante
4
NA
Chapim-carvoeiro Parus ater
R3
Pouco preocupante
-
NA
Chapim-azul Parus caeruleus
R2
Pouco preocupante
4
NA
Chapim-real Parus major
R2
Pouco preocupante
-
NA
Trepadeira-azul Sitta europaea
R3
Pouco preocupante
-
NA
Trepadeira Certhia brachydactyla
R2
Pouco preocupante
4
NA
Papa-figos Oriolus oriolus
E3
Pouco preocupante
-
NA
Picanço-real Lanius meridionalis
R4
Pouco preocupante
3
D
Picanço-barreteiro Lanius senator
E3
Quase ameaçado
2
V
Gaio Garrulus glandarius
R2
Pouco preocupante
-
(NA)
Pega Pica pica
R3
Pouco preocupante
-
NA
Gralha-de-nuca-cinzenta Corvus monedula
(R5*)
Pouco preocupante
4
(NA)
Gralha-preta Corvus corone
R2
Pouco preocupante
-
NA
Corvo Corvus corax
R5
Quase ameaçado
-
(NA)
Estorninho-preto Sturnus unicolor
R2
Pouco preocupante
4
NA
Pardal Passer domesticus
R1
Pouco preocupante
-
NA
Pardal-montês Passer montanus
O
Pouco preocupante
-
NA
Pardal-francês Petronia petronia
O
Pouco preocupante
-
NA
Bico-de-lacre Estrilda astrild
R2
---
-
-
Tentilhão Fringilla coelebs
R3I2
Pouco preocupante
4
NA
Milheirinha Serinus serinus
R2
Pouco preocupante
4
NA
Verdilhão Carduelis chloris
R2
Pouco preocupante
4
NA
Pintassilgo Carduelis carduelis
R2
Pouco preocupante
-
(NA)
Lugre Carduelis spinus
I3
Pouco preocupante
4
NA
Pintarroxo Carduelis cannabina
R3
Pouco preocupante
4
NA
Dom-fafe Pyrrhula pyrrhula
O
Pouco preocupante
-
NA
Bico-grossudo Coccothraustes coccothraustes
O
Pouco preocupante
-
NA
Escrevedeira Emberiza cirlus
R4
Pouco preocupante
4
(NA)
Cia Emberiza cia
R3
Pouco preocupante
3
V
Trigueirão Miliaria calandra
R3
Pouco preocupante
4
(NA)

Fonte: ICN – PNTI e (Costa, 1990)
 
Até ao momento, e em resultado de um estudo sistemático da zona a classificar, foram observadas na área um total de 119 espécies de aves, um elevado número delas com um estatuto de conservação desfavorável em Portugal e na Europa. Em termos nacionais destaca-se a ocorrência de 15 espécies consideradas ameaçadas (sob diferentes estatutos), no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, (ICN in prep.) e nas quais se destacam:
 
·        Espécies criticamente em perigo (CR)
Aves (1): Chasco-preto, (Oenanthe leucura).
 
·      Espécies em perigo (EN)
Aves (2): Águia-de-Bonelli (Hieraaetus fasciatus), Britango (Neophron percnopterus).
 
·      Espécies vulneráveis (VU)
Aves (5): Açor (Accipiter gentilis), Bufo-real (Bubo bubo), Cegonha-preta (Ciconia nigra), Maçarico-das-rochas (Actitis hypoleucos), Ógea (Falco subbuteo).
 
 
·      Espécies quase ameaçadas (NT)
Aves (7): Grifo (Gyps fulvus), Águia-calçada (Hieraaetus pennatus), Águia-cobreira (Circaetus gallicus), Corvo (Corvus corax), Ferreirinha-serrana (Prunella collaris), Picanço-barreteiro (Lanius senator), Taralhão-cinzento (Muscicapa striata).
 
 
Importância da área para a Conservação
 
As condições privilegiadas apresentadas por este território, para a avifauna, atribuem a esta proposta de classificação uma pertinência que justificaria, per si, a adopção de medidas de protecção e conservação dos habitas existentes.
 
Esta percepção é tida igualmente pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) instituição que, consciente da importância ornitológica da área, em especial da crista quartzítica que se prolonga pelos concelhos de Nisa, Vila Velha de Ródão e Proença-a-Nova e constitui um dos eixos da área em estudo, e pelo facto desta zona não usufruir de nenhuma figura de protecção legal, constituiu para a zona uma Zona Importante para as Aves (IBA- Important Bird Area), com a designação “Portas de Ródão e Vale Mourão” - IBA PT037.
 
Esta importância motivou igualmente a emissão, por parte da SPEA, de um parecer, que se junta em anexo, manifestando o seu apoio à Candidatura das Portas de Ródão a Monumento Natural.
 
Com esta proposta de classificação pretende-se preservar os habitats favoráveis à avifauna, dando especial ênfase aos locais de nidificação das espécies rupícolas que se localizam nas escarpas das Portas de Ródão. Estes locais concentram-se na Zona I, considerada a de maior sensibilidade e para a qual se defende a adopção de especiais medidas de protecção.
 
Nesta área verifica-se a ocorrência de alguns focos de perturbação provocada por passeios turísticos motorizados e por actividades florestais. Também o sobrevoo da zona das Portas de Ródão por aeronaves da Força Aérea Portuguesa foi a causa de morte de algumas crias de Grifo em anos recentes. Igualmente o uso ilegal de venenos, para controlo de predadores, parece ter sido a causa de morte de alguns Grifos nos últimos anos. Os incêndios, frequentes nesta região, e a substituição das áreas de vegetação natural e áreas de cultivo tradicional (hortas, pomares, olivais) por silvicultura intensiva têm contribuído consideravelmente para a degradação do habitat, tal como a proliferação de caminhos florestais que, nos últimos anos, se têm estendido inclusivamente às zonas escarpadas. Recentemente (em 2001/2002) realizaram-se obras de fixação da rede ferroviária que implicaram destruição de ninhos e a perturbação intensa da colónia de grifos e dos casais da Águia-de-Bonelli e Bufo-real existentes nas Portas de Ródão, tendo comprometido seriamente essa época de nidificação (Costa et al., 2003).
 
Mamíferos
 
Enquanto que os estudos da avifauna e da flora foram baseados em trabalhos de inventariação sistemática, o estudo deste grupo de vertebrados não foi possível ser realizado dentro dos parâmetros seguidos para os anteriores, por não ter havido disponibilidade de técnicos para a realização do correspondente trabalho, dentro do espaço temporal definido para a apresentação desta proposta de classificação. Assim esse estudo, naturalmente necessário, será efectuado numa etapa posterior.
 
De qualquer forma esta proposta de classificação contém alguns dados, apresentados no quadro seguinte, que resultam de estudos anteriormente efectuados, por nós consultados (Quercus, s/data, ob. cit.) e de trabalhos de campo realizados, nos últimos meses (dados próprios, Carlos Pacheco, com pess.) e outras fontes. Estas referências permitiram a recolha de informações objectivas sobre algumas das espécies existentes e cuja listagem é aqui apresentada.
 
Relativamente a essa informação, transposta para o quadro 5, na área em estudo salientamos a identificação, na Buraca da Faiopa, de um exemplar de morcego-grande-de-ferradura, (Rhinolophus ferrumequinum). Esta abertura, antiga zona de mineração, situada na crista quartzítica, na margem sul do Tejo, contém galerias, hoje parcialmente obstruídas, que podem constituir um elevado potencial para albergar colónias desta e de outras espécies de morcegos.
 
Por outro lado é relevante salientar que a diversidade de espécies que frequentam a área é relativamente elevada, tendo em conta a sua reduzida dimensão.
 
Espécies de mamíferos identificados

Espécies
Critérios
Final
(Livro vermelho)*
 
Genetta genetta
Geneta
 
LC
 
Sus scrofa
Javali
 
LC
 
Lutra lutra
Lontra
 
LC
 
Herpestes ichneumon
Sacarrabos
 
LC
 
Meles meles
Texugo
 
LC
 
Erinaceus europaeus
Ouriço-cacheiro
 
LC
 
Cervus elaphus
Veado
 
LC
 
Mustela nivalis
Doninha
 
LC
 
Oryctolagus cuniculus
Coelho-bravo
A2b+3de+4cde
NT
 
Lepus granatensis
Lebre
 
LC
 
Vulpes vulpes
Raposa
 
LC
 
Martes foina
Fuinha
 
LC
 
Mustela putorius
Toirão
 
DD
 
Rhinolophus ferrumequinum
Morcego-de-ferradura-grande
 
VU
 
Tadarida teniotis
Morcego rabudo
 
DD
 
Crossidura russula
Musaranho-de-dentes-brancos
 
LC
 
Suncus etruscus
Musaranho-anão-de-dentes-brancos
 
LC
 
 
Apodemus sylvaticus
Rato-do-campo
 
LC
 
Mus spretus
Rato-das-hortas
 
LC
 
Talpa occidentalis
Toupeira
 
LC
 

* Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal – ICN in prep.
 
Da listagem apresentada, a totalidade das espécies referidas foi recentemente observada na área em estudo.
 
Um estudo realizado pela Quercus (ob.cit, s/data), para a Câmara Municipal de Nisa refere a existência do gato-bravo. No entanto optámos pela sua não inclusão no inventário devido a não ser observada, na zona, há muitos anos e porque os contactos efectuados com residentes não nos indiciarem a sua presença.
 
Logo que as condições técnicas o permitam serão efectuados os estudos que tornem possível o inventário e a caracterização da situação dos mamíferos em toda esta área. Estes trabalhos
 
 
reputamo-los de uma grande importância para a gestão futura da área protegida, uma vez que permitem um melhor acompanhamento das zonas de caça existentes e da gestão cinegética da área de classificação. O conhecimento da situação destes efectivos, permitirá a emissão de pareceres fundamentados na matéria.
 
 
Ictiofauna
 
Tendo por base um estudo efectuado num conjunto de albufeiras, por Hugo Diogo, (Diogo, ob. cit. 2000) foi-nos possível caracterizar a situação das espécies piscícolas existentes na área da albufeira da barragem de Fratel e nos cursos de água localizados na área em estudo e que desaguam nessa albufeira.
 
O principal curso de água que atravessa a região é o rio Tejo. Este rio, outrora correndo livre até ao mar apresentava uma realidade ecológica diferente daquela que hoje existe. Algumas das espécies migratórias, antes comuns na região, caso da lampreia, do sável, do muge e da enguia, encontram-se totalmente desaparecidas devido às barragens construídas ao longo do curso do rio. Outras espécies como a carpa e o achigã foram entretanto introduzidas. Estas modificações constituem hoje a realidade que temos presente e que nos importa caracterizar.
 
As albufeiras fazem parte integrante da paisagem e constituem ecossistemas onde espécies e comunidades se estabelecem com uma dinâmica própria. São possuidoras de recursos biológicos geradores de bens e serviços que importa gerir e fomentar. Constituindo sistemas muito vulneráveis, cujo equilíbrio ecológico depende da intervenção humana, as comunidades biológicas das albufeiras têm de ser encaradas numa perspectiva de artificialidade nas quais a gestão/intervenção humana desempenha um importante papel.
 
Numa classificação das albufeiras tendo por base as suas associações piscícolas, a de Fratel inclui-se na categoria C (associada a uma geologia de xisto e a um maior uso agrícola), juntamente com Idanha, Póvoa, Maranhão; Capinha, Marateca e Montargil. Estas apresentam associações piscícolas com a perca-sol sempre presente, nalguns casos a ultrapassar em mais de 80% o total das capturas. Presentes estão ainda a carpa, a boga, o achigã, o barbo e o góbio. No conjunto das barragens estudadas a de Fratel foi o único local onde se verificou a presença do peixe-rei. Outra espécie, o góbio apenas surgiu nesta barragem e na de castelo do Bode.
 
Nas albufeiras foram capturadas espécies nativas mas também espécies exóticas, no caso da perca-sol, uma das espécies com maior representatividade. Esta espécie, juntamente com o achigã e o góbio, é menos frequente nos sistemas fluviais da bacia do Tejo o que mostra a importância das albufeiras para o seu estabelecimento no nosso país.
 
Referimos ainda algumas notas relativas a espécies sobre as quais os pescadores locais referem ainda encontrar-se na área. É o caso da enguia que aparece em épocas de cheia e o lúcio ao qual associam a destruição de algumas redes. Se relativamente a esta última espécie não possível confirmar a sua existência, relativamente à enguia ela foi capturada durante as últimas cheias que atingiram a região.
 
 
 Espécies piscícolas existentes na albufeira de Fratel

Espécies
Critérios
Final
(Livro vermelho)*
Squalius pyrenaicus
Escalo
B1b(ii, iii, iv)c(iv)+2b(ii, iii, iv)c(iv)
EN
Squalius alburnoides
Bordalo
A2bce+3bce+4bce
VU
Chondrostoma polylepis
Boga
B1b(ii, iii, iv)c(iv)+2b(ii, iii, iv)c(iv)
LC
Barbus bocagei
Barbo
-
LC
Atherina boyeri
Peixe-rei
-
DD
Cobitis palúdica
Verdemã
-
LC
Cyprinus carpio**
Carpa
-
-
Gobio gobio**
Góbio
-
-
Lepomis gibbosus**
Perca-sol
-
-
Micropterus salmoides**
Achigã
-
-

* Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal – ICN in prep.
** Espécie introduzida
 
 
Herpetofauna
 
De um modo idêntico ao que se passou no caso dos mamíferos, não foi possível realizar o estudo deste grupo de vertebrados dentro dos parâmetros seguidos para a avifauna, por não ter havido disponibilidade de técnicos para a realização do correspondente trabalho sistemático, dentro do espaço temporal definido para a apresentação desta proposta. No entanto, os dados recolhidos pelos técnicos envolvidos no estudo de outros grupos faunísticos e pelo apresentante da proposta, permitiram elaborar uma lista de espécies que se deverá aproximar da realidade existente.
 
No grupo dos répteis, salienta-se a presença de uma população de cágado-de-carapaça-estriada, espécie muito rara na região e com tendência de declínio em Portugal, onde está classificada como “Em perigo” de acordo com o Livro Vermelho dos Vertebrados, actualmente em preparação. Relevante também é a presença da cobra-de-pernas-pentadáctila e do fura-pastos, cujos limites de distribuição se situam próximos desta área.
 
 
 
 Répteis

Espécies
Critérios
Final
(Livro vermelho)*
Emys orbicularis
Cágado de carapaça estriada
B2ab(ii,iii,v)
EN
Mauremys leprosa
Cágado mediterrânico
-
LC
Chalcides bedriagai
Cobra-de-pernas-pentadáctila
-
LC
Chalcides striatus
Fura-pastos
-
LC
Elaphe scalaris
Cobra-de-escada
-
LC
Malpolon monspessulanus
Cobra-rateira
-
LC
Coluber hippocrepis
Cobra de ferradura
-
LC
Natrix maura
Cobra de água viperina
-
LC
Natrix natrix
Cobra de água de colar
-
LC
Lacerta lepida
Lagarto
-
LC
Psammodromus algirus
Lagartixa do mato
-
LC
Tarentola mauritanica
Osga
-
LC

* Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal – ICN in prep.
 
Relativamente ao grupo dos anfíbios, há a destacar a presença da Rã-de-focinho-ponteagudo, e a elevada abundância de relas junto das linhas de água.
 
 
Anfíbios

Espécies
Critérios
Final
(Livro vermelho) *
Alytes cisternasii
Sapo-parteiro-ibérico
 
LC
Bufo bufo
Sapo comum
 
LC
Bufo calamita
Sapo-corredor
 
LC
Pleurodeles walt
Salamandra-de-costelas-salientes
 
LC
Salamandra salamandra
Salamandra-de-pintas-amarelas
 
LC
Triturus marmoratus
Tritão-marmorado
 
LC
Triturus boscai
Tritão de ventre-laranja
 
LC
Discoglossus galganoi
Rã-de-focinho-ponteagudo
B2ab(ii, iii, iv, v)
NT
Rana perezi
Rã verde
 
LC
Hyla meridionalis
Rela-meridional
 
LC

* Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal – ICN in prep.
 

 

 

 
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