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Nos 20 anos da classificação da arte paleotlítica do Côa como Património Mundial, realiza-se no Museu do Côa, dias 4 a 6 de dezembro, o evento de carácter internacional

O impacto científico da descoberta de arte paleolítica ao ar livre no Vale do Côa determinou a decisão da UNESCO de classificar como Património Mundial a arte rupestre da região. Se aquela instituição tomou essa decisão quando apenas se conheciam cerca de 150 rochas distribuídas por 15 sítios, as mais de 500 rochas e 50 sítios atualmente confirmam a justeza da decisão.

Se os últimos trabalhos em torno da arte paleolítica ao ar livre na Europa e na região circum-mediterrânica justificam a necessidade de uma reunião científica de carácter internacional sobre a matéria, o facto de se comemorarem em 2018 os 20 anos da classificação da arte do Côa como Património Mundial, assim como o de provirem dos trabalhos efetuados na região alguns dos contributos mais pertinentes para o aprofundamento da problemática, fundamentam a decisão dessa reunião se realizar em Foz Côa, depois dos importantes encontros de Tautavel em 1999 e em Salamanca em 2006.

A descoberta ao ar livre em vários países europeus, assim como no Egipto, obriga-nos a deixar de olhar para os sítios com arte sob abrigo, designadamente do sudoeste francês e da costa cantábrica espanhola, como exemplos marginais de um contexto cultural no qual a arte seria essencialmente experienciada no interior não iluminado das grutas. Pensamos que chegou a altura de nos debruçarmos sobre estes abrigos e ver o que mudou no nosso entendimento sobre eles, desde que a quantidade de descobertas de arte ao ar livre, designadamente na Península Ibérica, e no vale do Côa em particular, tem vindo a demonstrar que a arte do Paleolítico Superior tanto era experienciada à luz do Sol como do archote ou da lâmpada de gordura.

O facto de, entretanto, se ter confirmado a autoria de alguma arte paleolítica por parte dos Neandertais em datas grosso modo contemporâneas de contextos habitacionais identificados no vale do Côa, justifica que nesta reunião se discuta igualmente a problemática dos inícios da arte e das relações entre as manifestações artísticas dos últimos Neandertais dos primeiros seres humanos anatomicamente modernos.

Finalmente, não podemos olvidar que o nosso trabalho nunca estará completo se, de alguma forma, não chegar a quem delegou em nós a tarefa de aprofundar os conhecimentos sobre a nossa humanidade mais remota a saber - os cidadãos dos nossos respetivos países. Não podemos correr o risco da produção de conhecimento e o acesso aos sítios que estudamos se dar no nosso tempo, havendo que garantir que estes se prolonguem pelas gerações vindouras. Há que procurar um ponto de equilíbrio entre o direito de acesso aos sítios por parte das gerações atuais e o dever de o garantirmos para as gerações futuras. Neste sentido, a gestão dos sítios de arte paleolítica e a sua valorização pública por via da sua abertura ao público ou da sua musealização são assuntos que devem ser discutidos e aprofundados. Julgámos, portanto,  pertinente, a organização de uma sessão orientada para esta problemática, sessão essa que encerrará os trabalhos.

Organização do Côa Symposium

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